Além de descrever uma pessoa, algumas tradições descrevem o tempo: organizam a vida em fases, períodos e retornos, e leem menos “quem você é” do que “em que momento você está”. Este tema reúne os sistemas que tratam o tempo como sequência — e eles variam enormemente no quanto pedem que se acredite neles.
No extremo mais frágil está o biorritmo: ciclos senoidais de 23, 28 e 33 dias, calculados a partir do nascimento, cuja ausência de suporte científico a Veridia declara em texto claro, não em rodapé. É um caso deliberado — mostrá-lo com a régua e com a ressalva juntas é mais honesto do que omiti-lo ou do que apresentá-lo como se funcionasse. No outro extremo de complexidade está o Vimshottari do Jyotish, um sistema de períodos que percorre 120 anos.
Entre os dois, a astrologia tem os trânsitos — o céu de agora sobre o mapa de então —, o BaZi organiza a vida em pilares e fases de sorte, e o calendário maia conta os 260 dias do Tzolk’in, uma contagem que corre há milênios sem parar (ao contrário do Dreamspell de 1987, que pula o 29 de fevereiro e por isso deriva). A numerologia tem seus ciclos e anos pessoais. O I Ching entra por um ângulo diferente: seu próprio nome é Livro das Mutações, e o que ele lê é a transformação de um momento em outro.
Ler o tempo como sequência é sedutor porque parece dar previsão. A Veridia mantém o tom: uma fase “favorável” não é um evento marcado no calendário, é uma forma de pensar ritmo e oportunidade. O que a distingue é dizer, para cada sistema, se aquela contagem tem base histórica, base astronômica ou nenhuma das duas — porque a diferença entre um ciclo atestado e um inventado é exatamente o que costuma ser escondido.
As fontes à mostra
De onde este conteúdo vem
A Veridia cita a obra, nunca reproduz texto literal — a síntese é editorial própria. As referências abaixo reúnem as bibliografias dos oráculos que este ensaio atravessa.
- Síntese reflexiva da tradição pitagórica moderna: David A. Phillips, "The Complete Book of Numerology"; Sonia Ducie, "Baby Name Numerology"; Mari Silva, "Divination"; Individualogist, "Numerology Elevation Guide".
- Síntese reflexiva a partir de Joy Kingsborough, "Tarot-Numerology Archetypes" (2017, numeração RWS — divergência declarada), e da tradição dos arcanos maiores; alinhada às leituras do módulo Tarot do Veridia.
- Tradição caldaica dos números compostos (10–52)Síntese editorial própria das leituras simbólicas dos compostos.
- Sonia Ducie, "Baby Name Numerology" (2020) — em paráfrase reflexiva.
- Wilhelm Fliess / Hermann Swoboda, Formulação clássica dos ciclos de 23 e 28 dias (1900)Origem da hipótese dos ciclos físico e emocional, na virada do século XIX para o XX.
- Alfred Teltscher, Ciclo intelectual de 33 dias (1928)Adição da década de 1920; os ciclos secundários (38/43/48 dias) vêm da literatura comercial dos anos 1970.
- Estudos de validação das décadas de 1970–80Dezenas de estudos não encontraram validade preditiva — divergência declarada em texto claro no topo da leitura.
- Diego de Landa, Relación de las cosas de Yucatán (1566)Fonte colonial dos nomes de dia e dos meses do Haab' na grafia que circulou por séculos. Registro de um colonizador sobre a cultura que ajudou a destruir — usado como atestação de nomes, nunca como autoridade interpretativa.
- J. Eric S. Thompson, Maya Hieroglyphic Writing: Introduction (1950)Base da correlação GMT (584283) adotada no motor e da nomenclatura colonial consolidada na literatura. Síntese editorial própria, nunca texto literal.
- Contagem k'iche' viva (cholq'ij) — 260 diasO calendário de 260 dias segue em uso ritual contínuo na Guatemala. O alinhamento 1:1 entre os nomes k'iche' e os nomes maias clássicos consta em fontes de divulgação, mas NÃO foi confirmado aqui em fonte acadêmica independente — a ressalva está declarada no cabeçalho de data.ts e deve aparecer na interface.
- José Argüelles e Lloydine Argüelles, Dreamspell: The Journey of Timeship Earth 2013 (1990)Fonte primária dos 20 Selos Solares, 13 Tons Galácticos, Ondas Encantadas e Castelos. Sistema autoral de 1987 — a própria Fundação da Lei do Tempo afirma que o Dreamspell não deve ser entendido como "o calendário maia".
- O Livro dos Selos (ed. em português) e A Matriz Sagrada do TzolkinObras devocionais sobre o Dreamspell, usadas como referência de estrutura e de vocabulário em português. Material protegido por direito autoral: entra como conferência, nunca como texto copiado. Os arquivos não são versionados — o acervo mora fora do repositório e a referência está em docs/04-governanca/acervo-de-estudo.md.
- Barbara Hand Clow e Gerry Clow, Alquimia das Nove DimensõesObra consultada na concepção do módulo; a Veridia não reproduz seu texto — síntese própria.
- Don Cross, astronomy-engineBiblioteca de efemérides sob licença MIT, escolhida no ADR-011. Implementa VSOP87 para os planetas, a teoria lunar de Meeus e um modelo próprio para Plutão. Roda no navegador, sem arquivos de efemérides.
- Jean Meeus, Astronomical Algorithms, 2ª edição (1998)Séries usadas em código próprio para obliquidade, nutação, nodo lunar médio e apogeu lunar médio — o ADR-011 decidiu não depender de API não documentada do provedor.
- Capitaine, Wallace & Chapront, IAU 2006 precession model (2003)Polinômio da obliquidade média da eclíptica.
- IANA Time Zone Database (via Intl.DateTimeFormat)Regras históricas de fuso, incluindo a vigência do horário de verão brasileiro por ano e por estado e sua abolição em 2019. Offset fixo desloca o Ascendente.
- Prática corrente e literatura de tabelas de casasDefinições de Placidus, Koch, Regiomontanus, Campanus, Porfírio, Alcabitius, Casas Iguais e Signos Inteiros. Implementação própria a partir da definição geométrica de cada sistema, verificada nos casos degenerados conhecidos.
- Lahiri (Chitrapaksha), B. V. Raman, Krishnamurti (KP) e Fagan–BradleyOs quatro ayanamsas oferecidos, com o valor em J2000.0 propagado por precessão média. Lahiri é o padrão oficial indiano; Krishnamurti é o do sistema KP; Fagan–Bradley é o da astrologia sideral ocidental.
- Convenção corrente sobre aspectos maiores e menoresÂngulos e naturezas são estáveis entre escolas. Os orbes não são: os três presets refletem faixas usadas na prática, não um consenso.
- Síntese editorial própria da VeridiaRedação original a partir da convergência entre escolas contemporâneas de astrologia psicológica e tradicional. Nenhum texto reproduzido de terceiros.
- Tradição jyotish clássica sobre os 27 nakshatrasNome, divindade regente, símbolo e graha regente são canônicos e estáveis entre linhagens. A leitura reflexiva de cada nakshatra é redação original da Veridia — nenhum texto reproduzido de terceiros.
- Ordem dos regentes do VimshottariA sequência Ketu, Vênus, Sol, Lua, Marte, Rahu, Júpiter, Saturno, Mercúrio repete-se três vezes ao longo dos 27 nakshatras e é a mesma que governa os períodos planetários.
- Rohini Ranjan (Ranjan Bose), Jyotish Dasha PrimerObra consultada na concepção do módulo; a Veridia não reproduz seu texto — síntese própria.
- Rohini Ranjan (Ranjan Bose), A Vedic Astrology Jyotish PrimerObra consultada na concepção do módulo; a Veridia não reproduz seu texto — síntese própria.
- R. G. Rao, Fundamentals of Rao's System of Nadi AstrologyObra consultada na concepção do módulo; a Veridia não reproduz seu texto — síntese própria.
- Arun K. Bansal e Vinay Garg, Jyotish SutramObra consultada na concepção do módulo; a Veridia não reproduz seu texto — síntese própria.
- Tabela clássica de regência, exaltação e debilitaçãoSignos próprios e graus de exaltação dos sete grahas visíveis são estáveis entre escolas. A função simbólica de cada graha é síntese editorial própria.
- Regras parashari das cartas divisionaisCada varga tem regra própria de signo de partida. Implementação a partir da definição de cada uma, com a D-9 verificada contra a forma uniforme de 108 setores.
- Vimshottari dasha — ciclo de 120 anosDurações dos nove períodos e ordem dos regentes são canônicas. O comprimento do ano adotado não é: a escolha é declarada no selo.
- Ciclo sexagenário chinês (ganzhi) — dez troncos celestes e doze ramos terrestresEstrutura canônica e milenar: nomes, elementos, polaridade e animais são padrão e não divergem entre escolas. É a parte do módulo com atestação mais firme.
- Os vinte e quatro termos solares (jieqi) do calendário chinêsOs doze termos de abertura (jié) e suas longitudes solares. Aqui os instantes não são tabelados: são calculados com a mesma efeméride dos módulos de astrologia, então a fronteira do lichun sai do céu e não de uma tabela que envelhece.
- Regra dos cinco tigres (五虎遁) para o tronco do mêsRegra tradicional que deriva o tronco do primeiro mês do tronco do ano. Implementada como fórmula e conferida contra as cinco linhas da tabela clássica.
- Karin Taylor Wu, Calculating the BaZi, Singing Dragon, 2017 — Worked BaZi CalculationsFórmulas do pilar do dia e do tronco da hora, e as quatro cartas resolvidas que verificam a âncora do ciclo de 60 dias. Usada como referência de cálculo, não de interpretação: o módulo implementa a contagem contínua, e as quatro cartas ficam em `tests/bazi-dia.test.ts` como referência — é o que amarra a âncora à fonte que a verificou.
- Joey Yap, BaZi — The Destiny Code Revealed, JY Books, 2006, cap. 4 (Combination Codes)Fonte das três famílias de combinação entre ramos: 三合 (trindades), 三會 (estações) e 六合 (pares), com o elemento que cada uma aponta. Usada como referência de estrutura, não de interpretação — as tabelas foram reescritas como propriedade geométrica verificável (espaçamento, consecutividade e soma constante), e não copiadas linha a linha. A obra é também a fonte de uma recusa que o módulo adota: a leitura popular de 三合 como "compatibilidade entre signos" descarta o significado da combinação e guarda só os animais do grupo — e combinação, na tradição, é vínculo, que pode ser com algo que faz mal.
- Joey Yap, BaZi 60 Pillars — Bing Fire (2018)Obra consultada na concepção do módulo; a Veridia não reproduz seu texto — síntese própria.
- Simbolismo tradicional dos dez troncos celestes e doze ramos terrestresA imagem de cada tronco e ramo (a árvore, a montanha, o cavalo, a chuva) é vocabulário comum da tradição chinesa, não expressão protegida. A leitura — essência, luz, sombra e pergunta — é redação própria da Veridia, em tom reflexivo e sem determinismo; nunca texto literal de terceiro.
- Joey Yap, BaZi 60 Pillars — Bing Fire, JY Productions, 2018Obra consultada na concepção do corpus interpretativo; a Veridia não reproduz seu texto — síntese própria.
- Karin Taylor Wu, Calculating the BaZi, Singing Dragon, 2017Obra consultada na concepção do corpus interpretativo; a Veridia não reproduz seu texto — síntese própria.
- budi_s, 64 gua iching, 6 arti garis (2019)Obra de estudo em indonésio, consultada como referência de estrutura das 384 linhas. Síntese editorial própria em pt-BR — nunca texto literal. O arquivo não é versionado: o acervo mora fora do repositório e a referência bibliográfica está em docs/04-governanca/acervo-de-estudo.md.
- Tradição do I Ching na sequência King WenNomes, trigramas e estrutura dos hexagramas conforme a ordenação clássica.
Os oráculos que este ensaio atravessa
Cada um tem seu artigo na Biblioteca e sua leitura no módulo, com o método e as fontes à vista.
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