Autoconhecimento é o campo mais povoado do catálogo — quase todo oráculo tem algo a dizer sobre como alguém funciona. É também onde mais varia a honestidade sobre a fonte: mapas de temperamento e estrutura pessoal são fáceis de afirmar e difíceis de conferir, e é por isso que a Veridia insiste em declarar, para cada um, de onde vem o que ele diz de você.
Entre os que calculam, numerologia, astrologia, Jyotish, BaZi e o calendário maia partem da sua data e desenham uma estrutura — número, signo, nakshatra, pilar, kin. O Human Design e a Matriz do Destino fazem o mesmo com vocabulário próprio, e os dois carregam a mesma etiqueta: são criações do fim do século XX e do XXI, não heranças antigas, e a página de cada um diz isso antes de qualquer campo.
Entre os que sorteiam, Tarot, runas e ogham também são usados para reflexão sobre si — não só para decidir. E há os que dependem da sua observação: a quiromancia, em que você classifica os traços da própria mão sem enviar imagem alguma, e os sonhos, o caso mais franco de todos — quatro escolas lado a lado, incluindo a pesquisa do sono, que sustenta que sonhos não anunciam nada. Um oráculo que inclui a leitura que o desmente está sendo honesto sobre seus próprios limites.
O que nenhum “mapa de si” é: um diagnóstico. Nenhum aqui afirma sobre saúde, e nenhum substitui o que uma pessoa descobre vivendo. O valor de reuni-los é comparativo — ver o mesmo tema (impulso, cautela, ritmo) nomeado por réguas diferentes ajuda a não confundir a régua com a coisa medida. Você não é o seu número, o seu signo ou o seu tipo; eles são linguagens para pensar, e a Veridia as mostra como tais.
As fontes à mostra
De onde este conteúdo vem
A Veridia cita a obra, nunca reproduz texto literal — a síntese é editorial própria. As referências abaixo reúnem as bibliografias dos oráculos que este ensaio atravessa.
- Síntese reflexiva da tradição pitagórica moderna: David A. Phillips, "The Complete Book of Numerology"; Sonia Ducie, "Baby Name Numerology"; Mari Silva, "Divination"; Individualogist, "Numerology Elevation Guide".
- Síntese reflexiva a partir de Joy Kingsborough, "Tarot-Numerology Archetypes" (2017, numeração RWS — divergência declarada), e da tradição dos arcanos maiores; alinhada às leituras do módulo Tarot do Veridia.
- Tradição caldaica dos números compostos (10–52)Síntese editorial própria das leituras simbólicas dos compostos.
- Sonia Ducie, "Baby Name Numerology" (2020) — em paráfrase reflexiva.
- Método da Matriz do Destino atribuído a Natalia Ladini (2006)Criação moderna russa (meados dos anos 2000) — não é um sistema antigo. Origem declarada no topo da leitura.
- Tradição dos 22 arcanos maiores do tarô (nomeação de Marselha)Base simbólica dos arcanos (8 = Justiça, 11 = Força); síntese editorial própria, nunca texto literal.
- Estrutura de posições da escola clássica de LadiniPontos, linhas, canais e mapa de saúde conforme calculadoras públicas do método; as divergências entre escolas estão declaradas em docs/03-funcional/matriz-regras.md.
- Acervo de estudo da Matriz do Destino (6 obras, fora do repositório — ver docs/04-governanca/acervo-de-estudo.md)24 programas nomeados da cauda cármica (tríade H-H2-E), com errata detectada e documentada (18-3-20 → 18-3-12). Síntese editorial própria, nunca texto literal.
- Diego de Landa, Relación de las cosas de Yucatán (1566)Fonte colonial dos nomes de dia e dos meses do Haab' na grafia que circulou por séculos. Registro de um colonizador sobre a cultura que ajudou a destruir — usado como atestação de nomes, nunca como autoridade interpretativa.
- J. Eric S. Thompson, Maya Hieroglyphic Writing: Introduction (1950)Base da correlação GMT (584283) adotada no motor e da nomenclatura colonial consolidada na literatura. Síntese editorial própria, nunca texto literal.
- Contagem k'iche' viva (cholq'ij) — 260 diasO calendário de 260 dias segue em uso ritual contínuo na Guatemala. O alinhamento 1:1 entre os nomes k'iche' e os nomes maias clássicos consta em fontes de divulgação, mas NÃO foi confirmado aqui em fonte acadêmica independente — a ressalva está declarada no cabeçalho de data.ts e deve aparecer na interface.
- José Argüelles e Lloydine Argüelles, Dreamspell: The Journey of Timeship Earth 2013 (1990)Fonte primária dos 20 Selos Solares, 13 Tons Galácticos, Ondas Encantadas e Castelos. Sistema autoral de 1987 — a própria Fundação da Lei do Tempo afirma que o Dreamspell não deve ser entendido como "o calendário maia".
- O Livro dos Selos (ed. em português) e A Matriz Sagrada do TzolkinObras devocionais sobre o Dreamspell, usadas como referência de estrutura e de vocabulário em português. Material protegido por direito autoral: entra como conferência, nunca como texto copiado. Os arquivos não são versionados — o acervo mora fora do repositório e a referência está em docs/04-governanca/acervo-de-estudo.md.
- Barbara Hand Clow e Gerry Clow, Alquimia das Nove DimensõesObra consultada na concepção do módulo; a Veridia não reproduz seu texto — síntese própria.
- Don Cross, astronomy-engineBiblioteca de efemérides sob licença MIT, escolhida no ADR-011. Implementa VSOP87 para os planetas, a teoria lunar de Meeus e um modelo próprio para Plutão. Roda no navegador, sem arquivos de efemérides.
- Jean Meeus, Astronomical Algorithms, 2ª edição (1998)Séries usadas em código próprio para obliquidade, nutação, nodo lunar médio e apogeu lunar médio — o ADR-011 decidiu não depender de API não documentada do provedor.
- Capitaine, Wallace & Chapront, IAU 2006 precession model (2003)Polinômio da obliquidade média da eclíptica.
- IANA Time Zone Database (via Intl.DateTimeFormat)Regras históricas de fuso, incluindo a vigência do horário de verão brasileiro por ano e por estado e sua abolição em 2019. Offset fixo desloca o Ascendente.
- Prática corrente e literatura de tabelas de casasDefinições de Placidus, Koch, Regiomontanus, Campanus, Porfírio, Alcabitius, Casas Iguais e Signos Inteiros. Implementação própria a partir da definição geométrica de cada sistema, verificada nos casos degenerados conhecidos.
- Lahiri (Chitrapaksha), B. V. Raman, Krishnamurti (KP) e Fagan–BradleyOs quatro ayanamsas oferecidos, com o valor em J2000.0 propagado por precessão média. Lahiri é o padrão oficial indiano; Krishnamurti é o do sistema KP; Fagan–Bradley é o da astrologia sideral ocidental.
- Convenção corrente sobre aspectos maiores e menoresÂngulos e naturezas são estáveis entre escolas. Os orbes não são: os três presets refletem faixas usadas na prática, não um consenso.
- Síntese editorial própria da VeridiaRedação original a partir da convergência entre escolas contemporâneas de astrologia psicológica e tradicional. Nenhum texto reproduzido de terceiros.
- Tradição jyotish clássica sobre os 27 nakshatrasNome, divindade regente, símbolo e graha regente são canônicos e estáveis entre linhagens. A leitura reflexiva de cada nakshatra é redação original da Veridia — nenhum texto reproduzido de terceiros.
- Ordem dos regentes do VimshottariA sequência Ketu, Vênus, Sol, Lua, Marte, Rahu, Júpiter, Saturno, Mercúrio repete-se três vezes ao longo dos 27 nakshatras e é a mesma que governa os períodos planetários.
- Rohini Ranjan (Ranjan Bose), Jyotish Dasha PrimerObra consultada na concepção do módulo; a Veridia não reproduz seu texto — síntese própria.
- Rohini Ranjan (Ranjan Bose), A Vedic Astrology Jyotish PrimerObra consultada na concepção do módulo; a Veridia não reproduz seu texto — síntese própria.
- R. G. Rao, Fundamentals of Rao's System of Nadi AstrologyObra consultada na concepção do módulo; a Veridia não reproduz seu texto — síntese própria.
- Arun K. Bansal e Vinay Garg, Jyotish SutramObra consultada na concepção do módulo; a Veridia não reproduz seu texto — síntese própria.
- Tabela clássica de regência, exaltação e debilitaçãoSignos próprios e graus de exaltação dos sete grahas visíveis são estáveis entre escolas. A função simbólica de cada graha é síntese editorial própria.
- Regras parashari das cartas divisionaisCada varga tem regra própria de signo de partida. Implementação a partir da definição de cada uma, com a D-9 verificada contra a forma uniforme de 108 setores.
- Vimshottari dasha — ciclo de 120 anosDurações dos nove períodos e ordem dos regentes são canônicas. O comprimento do ano adotado não é: a escolha é declarada no selo.
- Ra Uru Hu, Human Design — sistema formulado por Ra Uru Hu (Alan Krakower), 1987 (1987)Origem contemporânea, declarada na tela antes do resultado. O sistema toma emprestado o vocabulário do I Ching, da astrologia, da cabala e dos chakras, mas não deriva de nenhum deles nem tem continuidade histórica com eles.
- Efemérides — astronomy-engine, com as mesmas rotinas dos módulos de astrologiaAs treze posições e o instante do Design saem de cálculo astronômico conferível contra qualquer outra efeméride. É a parte do módulo que não depende de escola nenhuma.
- Chetan Parkyn, Human Design — Chetan Parkyn (edição em tradução turca, apêndice de gráficos)Consultado como implementação de referência: tipo, autoridade, canais definidos e perfil de seis pessoas, usados para conferir o cálculo. **Nenhuma prosa do livro entra neste corpus** — os 42 verbetes são síntese própria em português. Ver `/termos` §5 e `acervo-de-estudo.md`.
- Ciclo sexagenário chinês (ganzhi) — dez troncos celestes e doze ramos terrestresEstrutura canônica e milenar: nomes, elementos, polaridade e animais são padrão e não divergem entre escolas. É a parte do módulo com atestação mais firme.
- Os vinte e quatro termos solares (jieqi) do calendário chinêsOs doze termos de abertura (jié) e suas longitudes solares. Aqui os instantes não são tabelados: são calculados com a mesma efeméride dos módulos de astrologia, então a fronteira do lichun sai do céu e não de uma tabela que envelhece.
- Regra dos cinco tigres (五虎遁) para o tronco do mêsRegra tradicional que deriva o tronco do primeiro mês do tronco do ano. Implementada como fórmula e conferida contra as cinco linhas da tabela clássica.
- Karin Taylor Wu, Calculating the BaZi, Singing Dragon, 2017 — Worked BaZi CalculationsFórmulas do pilar do dia e do tronco da hora, e as quatro cartas resolvidas que verificam a âncora do ciclo de 60 dias. Usada como referência de cálculo, não de interpretação: o módulo implementa a contagem contínua, e as quatro cartas ficam em `tests/bazi-dia.test.ts` como referência — é o que amarra a âncora à fonte que a verificou.
- Joey Yap, BaZi — The Destiny Code Revealed, JY Books, 2006, cap. 4 (Combination Codes)Fonte das três famílias de combinação entre ramos: 三合 (trindades), 三會 (estações) e 六合 (pares), com o elemento que cada uma aponta. Usada como referência de estrutura, não de interpretação — as tabelas foram reescritas como propriedade geométrica verificável (espaçamento, consecutividade e soma constante), e não copiadas linha a linha. A obra é também a fonte de uma recusa que o módulo adota: a leitura popular de 三合 como "compatibilidade entre signos" descarta o significado da combinação e guarda só os animais do grupo — e combinação, na tradição, é vínculo, que pode ser com algo que faz mal.
- Joey Yap, BaZi 60 Pillars — Bing Fire (2018)Obra consultada na concepção do módulo; a Veridia não reproduz seu texto — síntese própria.
- Simbolismo tradicional dos dez troncos celestes e doze ramos terrestresA imagem de cada tronco e ramo (a árvore, a montanha, o cavalo, a chuva) é vocabulário comum da tradição chinesa, não expressão protegida. A leitura — essência, luz, sombra e pergunta — é redação própria da Veridia, em tom reflexivo e sem determinismo; nunca texto literal de terceiro.
- Joey Yap, BaZi 60 Pillars — Bing Fire, JY Productions, 2018Obra consultada na concepção do corpus interpretativo; a Veridia não reproduz seu texto — síntese própria.
- Karin Taylor Wu, Calculating the BaZi, Singing Dragon, 2017Obra consultada na concepção do corpus interpretativo; a Veridia não reproduz seu texto — síntese própria.
- Tradição dos arcanos maiores (numeração de Marselha)Síntese editorial própria dos 22 arcanos — significados direto/invertido e orientações reflexivas.
- Poema rúnico anglo-saxão (séc. VIII–X)Única fonte que nomeia as 24+ runas por extenso; base dos nomes e significados atestados. Síntese editorial própria, nunca texto literal.
- Poemas rúnicos norueguês (séc. XIII) e islandês (séc. XV)Descrevem o Futhark Jovem de 16 runas — cobrem só parte do Elder Futhark; usados como cognatos, com a lacuna declarada por runa (campo atestacao).
- Convenções dos manuais modernos (linhagem Edred Thorsson)Conjunto das 9 runas simétricas não invertíveis (Gebo, Hagalaz, Nauthiz, Isa, Jera, Eihwaz, Sowilo, Ingwaz, Dagaz) e leituras merkstave — prática contemporânea, não histórica.
- Samael Aun Weor, Magia de las RunasObra consultada na concepção do módulo; a Veridia não reproduz seu texto — síntese própria.
- Erica, Mistérios Nórdicos: Deuses, Runas, Magias, Rituais (2011)Obra consultada na concepção do módulo; a Veridia não reproduz seu texto — síntese própria.
- In Lebor Ogaim (Tratado do Ogham), no Livro de Ballymote (1390)Tratado gramatical medieval: descreve o alfabeto e registra os bríatharogaim (kennings). Não descreve adivinhação — é a fonte dos kennings, e é o limite do que está atestado.
- Auraicept na n-Éces (O Manual dos Eruditos)Tratado gramatical irlandês; ordem das aicmí, nomes dos feda e as associações com árvores, que são tardias e divergentes entre listas.
- Damian McManus, McManus, Damian — A Guide to Ogam (1991)Referência acadêmica corrente para leitura e tradução dos kennings. As traduções aqui seguem as versões usuais desta linhagem; conferência contra edição primária segue pendente e está declarada na doc do módulo.
- Cheiro (William John Warner), Palmistry for All (1916)Domínio público (Project Gutenberg #20480). Base da taxonomia: montes, linhas maiores e secundárias, marcas, polegar, dedos e unhas. A tipologia de sete tipos de mão do próprio Cheiro NÃO foi adotada — organiza as mãos por "raças da humanidade" e nomeia o primeiro tipo como "o mais baixo", afirmando que essas pessoas não sentem dor como os "tipos superiores". Racismo científico da época, excluído sem ressalva. Ver docs/03-funcional/quiromancia-regras.md §2.1.
- Sasha Fenton, PalmistryPrática contemporânea; conferência da classificação elemental e do vocabulário dos montes.
- Lois Hewitt, Beginners Guide to Palmistry (2014)Conferência da leitura das linhas maiores e da distinção entre mão ativa e passiva.
- Quiromancia sem Mistérios (2018)ISBN 978-85-06-07128-1. Fonte principal do vocabulário em pt-BR: falanges, montes e traçados.
- Mari Silva, Palm Reading: Unlock the Secrets of Palmistry (2021)Conferência das marcas e das linhas secundárias.
- Planeta Agostini, Quiromancia (1990)Conferência de nomenclatura em português e espanhol.
- Schütz, QuiromanciaConferência.
- Sigmund Freud, Freud, Sigmund — A Interpretação dos Sonhos (1900)Domínio público. Síntese editorial própria, nunca texto literal. Vale registrar que o próprio Freud recusava dicionários de símbolos fixos — o que circula como 'simbologia freudiana' costuma contrariá-lo.
- C. G. Jung, Jung, C. G. — obra sobre símbolos e arquétiposSíntese editorial própria a partir da linhagem junguiana. Obras ainda protegidas; nenhum trecho é reproduzido.
- Artemidoro de Daldis — Oneirocritica (séc. II) (180)Domínio público. Base histórica da leitura por correspondência direta, e a fonte mais antiga da coluna 'tradição popular'.
- Pesquisa contemporânea do sono e dos sonhos (a partir de 1953)Descoberta do sono REM (Aserinsky e Kleitman, 1953), hipótese da continuidade e estudos de frequência temática. Entra como escola, não como rodapé: é a única que sustenta que sonhos não anunciam acontecimentos.
Os oráculos que este ensaio atravessa
Cada um tem seu artigo na Biblioteca e sua leitura no módulo, com o método e as fontes à vista.
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